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Comentário Pessoal Sobre a Raça
Rhodesian Ridgeback
A raça Rhodesian Ridgeback tem algumas
particularidades que a definem,
originando por vezes interpretações
ambíguas. Como detentor de exemplares
desde os anos 70, posso afirmar que
com o decorrer dos anos tenho
observado in loco essas
particularidades, bem assim
obviamente, como detenho o meu próprio
conceito de como seria um Rhodesian
Ridgeback ideal, no entanto, aceito
todas as outras interpretações com
muito interesse desde que elas
provenham de alguém, que tal como eu,
já tenha acompanhado Ridgeback´s do
nascimento à velhice, que os tenha
visto no seu habitat natural fazendo o
que mais gostam, ou até, que os
conheçam muito bem no cumprimento das
suas tarefas. Quanto a
particularidades, poderei adiantar que
quem conviveu ou foi dono de um
Ridgeback nunca mais o esquece, estou
um pouco à vontade para o dizer, pois
como criador de outras raças esta tem
realmente particularidades únicas.
O verdadeiro Ridgeback é um cão
altamente dedicado à família, sendo
por vezes até um “menino mimado” para
as pessoas que o rodeiam. é agreste
para com todos os outros, respeitando
no entanto integralmente os estranhos
introduzidos em casa pelos seus donos,
isto, sem no entanto lhes dar
confiança e mantendo-os sempre “sob
olho”, só no fim de muita convivência
e confiança com a família é que o
Ridgeback se dignará a dar confiança
ao “intruso”.
É valente e brigão dentro do seu
território que defende até à morte, no
exterior é confiante esperando sempre
pela primeira agressão, é extremamente
ciumento razão pela qual por vezes
arma brigas, é muito teimoso e dono de
um carácter fortíssimo, quando
repreendido fica ofendido e “amua”
como uma criança, é terrivelmente
esperto, sagaz, rápido e fulminante,
possuindo uma técnica de guarda e
defesa dignas de qualquer grande chefe
militar, só ladra quando realmente
existe algo anómalo ou de perigo.
Na caça, tem a absoluta sincronização
e técnica para saber quando e por onde
deve perseguir, atacar e ou recuar,
quando em grupo, é um estratega
brilhante, como óbice, tem o seu
exacerbado ciúme e vontade de
demonstração de tarefa cumprida
perante o dono do que resulta muitas
vezes brigas junto da presa capturada.
Quanto ao seu standard, e não querendo
de forma nenhuma contrariar o standard
da FCI, tenho dele a minha própria
interpretação. Aquando dos sucessivos
cruzamentos que deram lugar ao
Ridgeback, privilegiou-se dois tipos
de cão, o mais agalgado e alto para
caça tipo gamo, veado e outras, e o
mais baixo e forte para presa, para a
caça ao javali, babuíno e leão, sendo
que estes últimos, embora um pouco
mais baixos, eram muito mais fortes,
balanceados e com as cabeças mais
largas, aos primeiros chamaram os
pioneiros galgo Van Royen, aos
segundos cão leão Van Royen. desta
segunda linhagem nasceram os
“Viking Line Dogs” do Major Vernon
Brisley da qual sou um incondicional
adepto.
Tentando explicar o porquê desta minha
opção, poderei adiantar que seguindo à
letra as directrizes do FCI sobre a
interpretação dos standards onde se
afirma: “ o cão deve sempre ser visto
e julgado tendo em conta as
potencialidades nele existentes e para
aquilo para que foi criado “, só me dá
razão. Pode-se portanto afirmar que o
mais correcto será um cão nunca acima
dos 68/70 cm ao garrote, tendo no
entanto de ter um peito largo e forte
bem assim como uma cabeça condizente
com o seu porte, quero com isto
afirmar, que embora no aspecto de
beleza e andamentos os cães agora
criados no norte da Europa, Austrália,
África do sul e Estados Unidos sejam
excelentes, não serviriam de forma
alguma para o fim para que foram
criados.
Se atentarmos que para caçar uma presa
tipo javali ou babuíno o cão deverá
ter uma cabeça compacta e forte
acompanhada de um corpo robusto e
largo, não só para poder sustentar a
mordida como ainda, para poder atacar,
recuar e fintar rapidamente, chegamos
portanto à conclusão que nunca poderá
ser um cão de 36 kg com 75 cm ao
garrote e uma cabeça tipo galgo, e
isto porque não poderia suster a
mordida por um lado, por outro porque
um cão desse tipo (extremamente alto e
comprido) tem o seu centro de
gravidade muito mais alto, tendo
portanto muito mais dificuldade a
arrancar subitamente, parar, torcer ou
fintar, que um outro mais baixo,
sendo-lhe fatal se utilizado na caça
ao babuíno ou leão.
Estas são portanto as razões que me
levam a ser um seguidor incondicional
da linha do Major Vernon Brisley, o
que não quer dizer que não aprecie
todas as outras, no meu caso
particular estou a tentar desde há já
alguns anos introduzir mais alguns
centímetros na minha linhagem, sem no
entanto descurar a cabeça e a robustez
do corpo.
Também no carácter tenho feito um
beneficiamento continuo, sendo que,
actualmente todos os cães já nascidos
em Portugal têm um comportamento muito
mais sociável que os de origem
Africana, aliás, constatei que quanto
mais afastada está a geração de “cães
Africanos” mais fácil é a
sociabilização e melhor se torna o
carácter no que concerne a “ciúmes”,
predisposição para a briga etc.
De todas as formas, sendo o seu
Ridgeback de que linhagem for, nunca
se esqueça de o amar e respeitar, pois
de certeza que ele o respeita e ama
mais do que tudo no mundo, e pese
embora o seu aspecto é um cão
extremamente sensível.
TENHA SEMPRE EM MENTE :
“ ... no standard can ever teach you
to understand and judge a Ridgeback
only a feeling for, and understanding of,
the idea behind the breed “
STIG G. CARLSON
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