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Pequeno Historial da Raça
Rhodesian Ridgeback
( Leão da Rodésia)
Os
Holandeses fizeram-se acompanhar dos seus cães (Terriers,
galgos, Mastins, etc.) aquando da colonização do Cabo (actual
Africa do Sul). Bem cedo se aperceberam da total inadaptação
desses cães ao clima, densidade florestal, doenças, etc., por
outro lado, repararam que o cão que acompanhava os Khoikhoi ou
Hottentotes, para além de robusto e aguerrido era extremamente
ágil e rápido, resistindo a quase tudo, inclusive à sede. Havia
ainda uma outra particularidade curiosa, esses cães ostentavam
uma risca em forma de ponta de lança apontada para a cauda
formada de pêlo inserido no sentido inverso ao da restante
pelagem.
Na
expectativa de criarem um cão mais resistente e adaptado, mas ao
mesmo tempo com maior envergadura, já que os cães dos Khoikhoi
eram pequenos, os Boers começaram a cruzar os seus cães com
exemplares desse cão nativo. Conseguiram os seus objectivos, no
entanto, deram origem a uma enorme diversidade de cães em
tamanho, peso, cor, pelagem e até cabeça, tendo quase todos no
entanto um factor comum, a citada risca em forma de ponta de
lança (geneticamente factor dominante).
Em
1870 o reverendo missionário Charles Helm saiu do Cabo para
estabelecer uma missão muito mais a norte (actual Zimbabwé
Ex.Rodésia), com ele levou dois desses cães, o “ Power “ e a “
Lorna “. A missão foi construída e por lá passavam caçadores e
viajantes com o fito de saber noticías, descansar, e até de
recuperar de doenças ou ferimentos. Um desses caçadores era
Cornelis Van Rooyen que apercebendo-se do potencial desses cães
para caça maior, logo resolveu adquirir alguns, treinando-os
para posterior utilização na sua caça preferida, o leão.
Van Rooyen foi considerado no seu tempo o maior caçador de leões
do Mundo, a sua fama e feitos ultrapassaram fronteiras e
continentes, bem assim como a fama dos seus destemidos cães, de
tal forma, que em finais do século XIX todas as grandes quintas
da Rodésia e quase a totalidade dos caçadores dessa área
possuíam pelo menos um “ galgo Van Rooyen “ ou “ cão leão Van
Rooyen “ como eram conhecidos.
Em
1915, Francis Richard Barnes adquiriu “ Dingo “
descendente de um “ Cão Leão Van Rooyen “, ficou de tal
forma fascinado pelas suas excepcionais qualidades que, quando
saiu de Salisbury para Figtree onde construiu a Quinta Eskdal,
fundou também um canil com o mesmo nome para criação desses
famosos cães (Eskdal kennel, o canil pioneiro e um dos mais
famosos).
Em
1922, Mr. Barnes convocou uma reunião de proprietários de “
Ridgeback “ com o firme propósito de fundarem um clube dessa
raça (The Parent Club), e definirem entre eles um standard para
posterior reconhecimento da raça. Decidiu-se tomar como base o
standard do “ cão da Dalmácia “ com as necessárias e devidas
adaptações. A raça foi reconhecida em 1925 sendo que o standard
ainda hoje se mantém com ligeiras alterações, sendo as mais
salientes, a circunscrição da cor branca às patas e peito e a
erradicação da cor raiada.
Muito importante foi ainda o contributo do major Vernon Brisley
e dos seus “ Viking dogs “ , para muitos o Major Brisley
foi o maior motor para a consolidação desta raça, aliás, se
recuarmos nos pedigrees de 80% dos “ Rhodesian Ridgeback “
encontramos de certeza um cão do canil “ Viking “. Nos
últimos 30 anos pontificaram dois excelentes canis de onde
saíram os melhores exemplares , trata-se dos canis com os afixos
“ Mushana “ e “ Glenaholm “.
Existem cães com ridge no dorso em cinco outros lugares do
planeta, na ilha de Phu Quoc (Golfo do Sião - actual Vietname),
no Cambodja, no sul da Tailândia onde são chamados “ Mha Kon
Klab “, em Timor onde lhe chamam “ riscas “, e na Baia dos
Tigres, sul de Angola.
Nos três primeiros casos, as opiniões dividem-se quanto à
proveniência desses cães, uns opinam de que foram mercadores
Árabes que os trouxeram, outros, que foram os Holandeses (
companhia das Índias, cujos navios debandavam o Cabo e Malaca),
outros ainda e mais credível, que foram os Portugueses,
patriotismo aparte, não podemos esquecer que as naus Portuguesas
antes de atravessarem o Índico faziam a última aguada em
Moçâmedes ( actual Namibe ), terra de Macubaios, Ganguelas e
Kamussekeles todos tribos Khoikhoi ou Hottentots, não podemos
esquecer também que muito antes dos Holandeses já os Portugueses
demandavam o Golfo e Reino do Sião e Malaca, devemos de ter em
conta ainda, que os Portugueses tiveram um tratamento
preferencial, inclusive deixaram estabelecê-los em Ayuntya
antiga capital do Sião, pelo que não será de estranhar a
existência desses cães exactamente onde os Portugueses antes de
todos os outros fizeram a sua comercialização de bens,
principalmente armamento, sendo que a ilha de Phu Quoc , hoje
Vietname , pertencia ao tempo ao Reino do Sião e era um lugar
quase de certeza, isto pela sua localização, ideal para fazer
aguadas e incursões a terra para venda do seu material , tanto
ao reino do Sião como ao do Cambodja, por outro lado, é sabido
que nas naus Portuguesas eram utilizados cães para defender as
provisões dos ratos, sendo esses cães pequenos de tamanho para
poderem entrar no cavername, não sendo portanto de estranhar que
fossem cães dos Guenguelas pela sua resistência.
Quanto ao “ riscas “ é mais que certo que foram os Portugueses
que fizeram a sua introdução em Timor, tanto mais que a sua
maior concentração é nas montanhas que distam muito pouco de
Dili.
No
que respeita ao “ cão da Baia dos Tigres “ a situação é
totalmente clara. No principio do século XX ocorreu um surto de
raiva na zona de Moçâmedes, o governador provincial decretou
imediatamente que fossem abatidos todos os cães, no entanto,
alguns donos condoídos e revoltados com o decreto de extermínio
resolveram embarcar na calada da noite algumas dezenas de cães
numa embarcação e rumaram ao sul, quiçá, com o intento de
posteriormente os recuperarem, desembarcaram-nos numa zona
inóspita e deserta chamada “ Baia dos Tigres “,outrora uma
península, mas transformada pela natureza em ilha desde 1940
aproximadamente, o governador apercebendo-se da habilidade,
manteve o decreto por perto de cinco anos, inviabilizando assim
a recuperação dos canídeos.
Na
“ Baia dos Tigres “ imperou a lei da selva e dos mais
fortes e audazes, podemos até imaginar cenas de autêntico terror
e canibalismo, só os mais fortes e capazes sobreviveram, entre
eles estavam alguns cães Khoikhoi e alguns com eles cruzados,
tal como acontecera no Cabo também os Portugueses cruzaram os
seus cães com os dos Khoikhoi. Por via do factor geneticamente
dominante, hoje existem matilhas de cães selvagens que na sua
maioria ostentam na sua pelagem uma ponta de lança no dorso
voltada para a cauda, estes cães alimentam-se de peixe, focas e
albatrozes, são excepcionais nadadores, tendo-se adaptado ás
condições mais duras e adversas de Angola e talvez do Mundo, são
de uma ferocidade e auto defesa incríveis, inclusive, para se
dessedentarem, e em virtude da água potável ser inexistente,
bebem as pequenas partículas de água doce que existem no topo
das ondas aquando da rebentação.
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