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Crufts

A Quinta

Recado de um Amigo

Rhodesian Ridgeback World Congress 2004

Crufts

  

Quem gosta de desporto tem que obrigatoriamente, se a sua vida o permitir e tiver disponibilidades financeiras para tal, assistir pelo menos a uns Jogos Olimpicos, o mesmo se passa com os amantes do futebol, que pelo menos uma vez na vida tem que asistir in loco a um Mundial, para os amantes da Canicultura os seus Jogos Olimpicos e Mundial é sem sombras de duvida o CRUFTS.

Vou no meu 15º e confesso que ainda não me encontro farto, fui se não o primeiro, um dos primeiros Portugueses a tornar-se membro do Kennel Club, toda aquela magia, o interesse da população em geral, a honra que os canicultoresque demonstram por estarem presentes, o desportivismo, o rigor e competência que é posto na organização de um evento canino com cerca de 23.000 exemplares com pergaminhos tamanhos, tudo isso me fascina, trazendo-me de imediato à ideia o provincianismo e pequenez caseira, fazendo-me soltar paralelamente um inevitável sorriso ao lembrar-me da mesquinhez, importância bacoca e sobranceria, que por vezes por factos e em actos são exibidos por alguns “colunáveis” das nossas diminutas organizações, que comparativamente, só equivalem a uma das alas num dos quatros dias do evento.

Falando em coisas interessantes, que para mim são os cães, observei os julgamentos de  algumas raças podendo adiantar que me agradou a qualidade dos seus exemplares, no primeiro dia debrucei-me nos meus Ridgeback’s dando também umas espreitadelas aos Bloodhound’s e Irish Wolfhound’s que são duas raças que também me cativam.

Os Ridgeback’s, talvez devido à ameaça velada Americana de os quererem transformar em duas raças, apresentaram-se em força com muito melhor qualidade que no inicio do Milénio, muito mais exemplares em conformidade com o cão original, e sem sombras de duvidas com exemplares que pelo seu porte poderiam muito fàcilmente executar as tarefas para que foram criados, os “Agalgados Gigantones” com ausência de peito, de peso e de osso desapareceram quase por completo, aliás os criadores da “moda” do principio do Milénio primaram pela ausência, os julgamentos a cargo da Sra. Barber estiveram quase sempre correctos, exceptuando talvez uma das classes de machos onde realmente não se compreendeu muito bem as suas opções.

Foi quase sempre premiado a tipicidade, o porte, a cabeça, a musculatura, os andamentos, sendo um pouco permissiva nas apresentações como é timbre dos Britânicos, não erradicou os exemplares “enormes” desde que estes estivessem numa conformidade total, outrossim relegou-os para posições secundárias já que alguns eram realmente muitissimo bonitos e impressionantes, dando por isso primazia a exemplares dentro do estalão.

Como melhor macho foi escolhido um junior bastante bonito que exactamente beneficiou de um certo “oversize” de outros dois exemplares que embora provávelmente um pouco fora de estalão eram de uma qualidade não vista nos ultimos anos.

O melhor da raça foi para uma cadela importada, com uma presença e andamentos impressionantes, embora no meu ponto de vista, pouco feminina principalmente de cabeça, e um pouco grande para femea.

Quanto aos Bloodhound’s e Irish Wolfhound’s, se nos primeiros se pode dizer que a qualidade foi óptima principalmente nos machos, nos segundos essa qualidade ressaltou nas femeas, não tendo aparecido aqueles machos de “encher o olho” que normalmente marcam presença, contudo a qualidade em geral foi muito boa.

No quarto dia, já que no segundo e terceiro me ausentei para Sul em desempenho profissional e lazer, pude assistir ao desfile de diversas raças e eventos que muito me agradaram na generalidade, assim, para além dos meus Mastiff’s fui espreitar os Bullmastiff’s, os Mastins Napolitanos, os Leonberger’s e os St. Bernard’s do Working group e os cães da Anatólia e os Komondor’s dos Pastores, para além de ir dar uma forçinha ao nosso representante Tiago Gonçalves  nos jovens handlers que estavam a ser julgados pelo Eng. Luis Pinto Teixeira.

Quanto aos Mastiff’s não foi dos anos em que a qualidade em qualidade de exemplares fosse mais marcante, de excepcional qualidade apareceram dois ou três machos e umas tantas femeas, os machos mais impressionantes apresentaram-se na mesma classe ficando nos dois primeiros lugares, em primeiro ficou um leonado com uma cabeça, fisico  e andamentos impressionantes oriundo do canil Bredwardine dos meus amigos Thomas e Tugwell, ficando em segundo um tigrado do casal Say do famoso afixo Bulliff, por incrivel que pareça a juiza decidiu dar o melhor macho ao vencedor da open class um campeão que realmente de melhor só a sua apresentação, já que a dona do leonado era uma principiante dona de um unico cão.

Nas cadelas apresentaram-se na final realmente as melhores das diversas classes, ganhando não a maior mas a mais armoniosa, melhor apresentada e mais feminina, acabando também por ganhar a raça, é uma cadela não muito grande talvez com 65 kg. leonada propriedade do canil Bredwardine, filha de um cão criado pelo mesmo canil, que para além de ser extraordináriamente bonita e equilibrada, apresenta-se soberbamente e demonstra gosto de se mostrar no ring, com andamentos, uma postura e graciosidade algo raros nesta raça e em cães deste tamanho.

Nos Bullmasttiff’s aconteceu o pior, a qualidade foi muito boa, mas eventualmente devido a nervosismo próprio de um Alemão a julgar no Crufts raças Inglesas, o muito experiente juiz Christoffer Habig não foi feliz nos seus julgamentos, a qualidade de exemplares em ring foi das melhores dos ultimos anos, pena foi que não tenha sido julgada a contento com os padrões Britânicos e em conformidade com a qualidade.

Nos mastins Napolitanos nada de extraordinário se passou, a qualidade continua muito pobre e escassa, as cabeças e osso não são regra geral condizentes com a raça e com o que estamos habituados a ver no Continente, no entanto ganhou um macho que entre os presentes era sem duvida o melhor.

Quanto aos Leonberger’s e St. Bernard’s a abundância como de costume foi grande e a qualidade bastante boa, em ambas as raças apresentaram-se exemplares que pela sua qualidade deram algumas dores de cabeça aos juizes para tomar as suas decisões.

Nos cães da Anatólia e Komondor’s embora a quantidade fosse bastante inferior a qualidade fazia esquecer esse pequeno grande pormenor, em ambas as raças apresentaram-se em ring exemplares com excepcional qualidade tanto no que se refere a porte e postura como em apresentação.

Finalmente embora não conseguindo “furar” a muralha humana que acompanhava os jovens apresentadores, acompanhei meio através das cabeças de espectadores, meio através do circuito interno gigante de TV, os julgamentos do Eng. Luis Pinto Teixeira que a meu ver foram irrepreensiveis, premiando a jovem que sem duvida mais se destacou.  

A Quinta

“Quinta de Ferdais” – Rhodesian Ridgeback’s (Leões da rodésia)

 

Acrescentamos aos mais de 30 titulos de Campeão de 20 exemplares do nosso afixo nascidos em Portugal ao longo de seis gerações, os dois ultimos titulos conquistados no EW04.

“Otto da Quinta de Ferdais” – Proclamado Promessa Europeia 2004 (EH04)

“Onça da Quinta de Ferdais” - Promessa Europeia 2004 (EH04) – Bob cachorros

 

Últimos Êxitos de exemplares

“Quinta de ferdais

 

65ª Exposição Canina Internacional do Norte

 

Rhanmar Zulu kuska” – M. B. 1ª - Melhor cachorro femea

otto da quinta de ferdais” – Exc 1º - melhor junior

ninja da Quinta de ferdais” – exc. 1º - RCAC melhor intmd.

magali da quinta de ferdais” – Exc. 1ª – CAC-QC – CACib

huno da quinta de ferdais” – exc. 1º - cacib e bob

 

 

12ª Exposição Canina Internacional de V. Franca de Xira

 

Rhanmar Zulu kuska” – M. B. 1ª - Melhor cachorro femea

otto da quinta de ferdais” – Exc 1º - cacrcacib – melhor intmd.

magali da quinta de ferdais” – Exc. 2ª – rCACrCACib

blitz dfa quinta de ferdais” – Exc 2º - melhor veterano

huno da quinta de ferdais” – exc. 1º - cacib e bob

 

 

2º Exposição canina da Costa azul

 

Queeny da quinta de ferdaism.b. 1ª – bob cachorros femea e rbig

otto da quinta de ferdais” – Exc 1º - cac  melhor intmd. macho

Onça da quinta de ferdaisexc. 1ª – rcac – melhor intmd. Femea

Mac ferdais da casa edmarexc. 1º abertarcac

Kali da quinta de ferdaisexc. 1ª – campeões – CCC

Blitz da quinta de ferdaisexc. 1º - ccc – melhor veterano e bob

NEWS

 Nas revistas cães e mascotes de fevereiro e março vem diversos artigos sobre a raça rhodesian ridgeback, também na revista os nossos cães de março vem inserido uma fabulosa e incrivel história veridica sobre uma cadela desta raça

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Recado de um amigo

Cheguei ontem às portas do céu depois de nos despedirmos.
Comecei a sentir terrivelmente a tua falta, porque te ouvi chorar.
De repente chegou um anjo que me pediu para entrar.
Pedi-lhe se podia ficar fora do portão à espera de alguém que chegaria mais tarde.
Verá que não farei muito barulho, não ladrarei, nem uivarei.
Esperarei aqui pacientemente a brincar com a minha bola de ténis.
O anjo disse-me que ali poderia ficar esperando a tua vinda.
Porque o céu nunca será o céu se eu entrar sózinho.
Portanto vou esperar aqui, não tenhas pressa, mas por favor mantem-me no teu coração.
Porque o céu nunca seria o céu sem ti a aqueceres o meu coração.

Rhodesian Ridgeback World Congress 2004

 

 

Acabei de regressar dos States onde representei o RRC de Portugal no RRWC, na generalidade foi uma jornada interessante, principalmente por proporcionar o reencontro com alguns amigos, Stig Carlsson foi a ausência que mais notei, embora tantas vezes com opiniões discordantes sempre estivemos juntos desde o congresso na Inglaterra, era respeitado e respeitava as opiniões dos outros e quer queiram quer não projectou muito a raça através dos seus livros, dele retenho a sua máxima “ ... no standard can ever teach you to understand and judge a ridgeback, only a feeling for, and understanding of, the idea behind the breed “, que descanse em Paz.

Nas intervenções nada de novo, a não ser a eterna discrepância entre os que defendem o estalão original (que agora pomposamente querem chamar de “trabalho”) e os que defendem o estalão adoptado pelo AKC para os RR dog shows (que embora mais ou menos igual não o é na prática), as posições estão cada vez mais extremadas (embora num clima ainda bastante polido) falando-se já até em dois estalões e dois tipos de cão (como aconteceu com o Akita e o Grande cão Japonês), só espero que quando isso suceder já esteja a fazer companhia ao Stig.

As palestras e apresentações de trabalhos foram um pouco mais aliciantes, quanto ao debate de fundo, embora muito interessante não vai trazer nada de proficuo (só aqui, é que todos defenderam a mesma "Dama").

O chamado Icebreaker ou Welcome e os chamados banquetes só o foram de nome, para os Norte Americanos talvez aquilo sejam banquetes, agora para nós Europeus, valha-nos Nossa Senhora, aquilo foi algo de irreal.

Antessim, foi um fim de tarde num bar de hotel mediano com bebidas pagas "á cabeça" porque o Mexicano e a Americana não nos conheciam de lado nenhum, e dois "Buffet" mal servidos e amanhados com as bebidas compradas e transportadas desde o corredor em frente (cerveja, coca-cola e "margaritas"), no final um "café" que pela profundidade da diferença para pior, deveria por lei Federal ter que usar outro nome para não ofender irremediàvelmente o verdadeiro.

Pelo sim pelo não, e com o fito de não fazer figuras tristes levei um fatito e gravata embora sabendo que a temperatura rondava sempre os 30 ou mais graus centigrados, na primeira noite vesti-me a rigor e lá fui, após a chegada e depois de ver o ambiente tive o bom senso de sobrepticiamente ir ao quarto vestir algo mais aligeirado.

Vou guardar aquela imagem para sempre, foi lindo de se ver, algumas senhoras de vestido de noite a rigor em franco convivio com cavalheiros com "farda numero 3", ou seja, calções, T shirt e o inseparável "baseball cap" que nalguns casos se manteve na cabeça mesmo durante o jantar, e onde os menos familiarizados com as maneiras dos USA se interrogaram se a maioria dos presentes seria "maneta", já que como habitual uma das mãozinhas e parte do braçinho nunca marcaram presença durante o repasto.

Quero ainda acrescentar como aviso, e sómente para quem é fumador, que terá actualmente uma vida bem dificil nos EUA, um fumador nos States é tão perseguido como um "taliban" no Afganisthan, só não leva é com F 16, por enquanto!!!

Os dog shows foram razoáveis, embora para mim e alguns outros presentes, os melhores exemplares só tenham feito a sua aparição no sábado e domingo, durante respectivamente dos shows de Fort Worth e do Texas.

A organização esteve mais ou menos bem, pelo menos foi muito disponivel e prestável, via-se bem que nunca tinham estado em semelhantes apuros, no entanto o material promocional para assinalar o evento foi fraco, tanto na qualidade como na originalidade.

Os três maiores erros foram sem duvida a total ausência de um programa social, as distâncias entre os eventos que fizeram prisioneiros (só existia um autocarro de 20 lugares), todos aqueles que não fizeram como eu que aluguei um carro ( do aeroporto ao hotel situado numa auto estrada Federal eram 45 kms, do Hotel aos dog shows e palestras eram 15 kms e finalmente do hotel ao Southfolk Ranch eram 90 kms), e a situação algo caricata de simultâneamente se realizarem os dog shows com as palestras a decorrerem, assim nem se viu bem uma coisa nem se tomou a devida atenção á outra.

O congresso para 2012 foi ganho pelo Canada, perderam na votação a coligação dos Paises Nórdicos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca), Portugal e Porto Rico.

O sistema de votação é absolutamente irreal, os votos não são por Pais, outrosim por participante presente na sala no dia do encerramento, quer isto dizer, que se os USA fossem candidatos ganhariam outra vez, ou até, se em 2008 na Irlanda, a Escócia ou a Grã Bretanha se candidatarem sairão vencedores (pela proximidade e consequente provável maior numero de participantes).

Sobre isso irei escrever ao Clube Irlandês e particularmente ao Tony Lord Edwards, para que ponha para aprovação no inicio do próximo Congresso um documento que irei elaborar, cuja finalidade será a de eleger uma Comissão para a fundação de uma Federação Mundial de Clubes e resolução de assuntos relacionados com a raça entre Congressos, a passagem do RRWC a Bi anual, e finalmente a concessão de sómente um voto por club representado em todas as decisões de fundo.

Por uma questão de cortesia não vou comentar em profundidade as intervenções, embora na globalidade algumas me tenham parecido patéticas, delas ficou-me o seguinte:

Sexta- feira

A defesa incondicional mas pouco sustentada do RR dog na vertente show pela Norte Americana Sra. Alicia Anna, não concedendo sequer espaço para outras opiniões, uma autêntica "Dona da Verdade" baseando-se unicamente no facto de criar cães desde os anos 70, enfim, feitios (com toda a certeza que é uma apoiante incondicional do Sr. Bush).

As duas intervenções de uma Jovem Sul Africana de nome Sian Hall quer sobre uma “Possivel origem "pré histórica" dos cães com Ridge", quer sobre uma “Eventual presença do "Chacal" na ascendência dos cães com Ridge" (no domingo), tudo baseado essencialmente em sub raças de "ridge dogs" ainda existentes na África do Sul a quem a referida jovem até dá nome, foram uns trabalhos interessantes embora sustentados de uma forma um tanto "folclórica", muito superficial (não tinha conhecimento por exemplo da existência dos "Baia dos Tigres" nem dos "Riscas")e com imensas lacunas (o seu conhecimento sobre os cães de Phu Quoc, do Ma Khon Klab e da ligação com os cães de combate do Cambodja também é muito limitada).

A intervenção de Scotty Steward sobre a utilização do RR no Kruger Park pelos Rangers, apresentando um filme onde se pode observar um RR a fazer frente inclusive a um elefante, este senhor apresenta-se como o Chairman do RR International Foundation, foi uma apresentação interessante e muito bem disposta, no entanto fiquei com algumas duvidas sobre os fins e beneficios da dita Fundação.

As duas intervenções de Orit Nevo sobre “Os 25 anos do RR na Terra Santa”, autêntica apologia ao seu próprio canil e a outros que já não criam, esquecendo-se quase por completo do Ben, que a meu ver e de muitos outros foi e é o maior impulsionador e criador da raça em Israel, só que não tem dinheiro para vir a Congressos (vive num colonato), logo de seguida falou sobre o que me pareceu ser a defesa dum standard baseado num " Quem tem mais cães é que sabe tudo e consequentemente é quem manda", embora algo disfarçado com uma abordagem baseada em "Escolas?".

Também falou Linda Costa, em representação (?) do Parent Club onde foi tesoureira (Zimbabwe), por acaso eu até sou membro desse club e salvo erro mais antigo, trata-se de uma Australiana casada com um Português que viveu uns anos no Zimbabwe, e que actualmente, e já pelo menos desde finais de 90 vive na Austrália, falou essencialmente do seu livro, que aliás teve bastante saida, que versa sobre os pioneiros na raça (a mim parece-me mais uma compilação de outros livros já existentes).

Sobre o Dermoid Sinus, as suas quatro variantes e o respectivo grau de perigosidade de cada uma, falou a Sueca Nicolette Hillbertz uma jovem cientista que apresentou um trabalho muito profissional, suportado em inumeros estudos, extraordináriamente bem explicado, embora de uma forma um tanto ou quanto fria e distante como é apanágio dos Nórdicos. Sobre o mesmo tema, falou ainda o Dr. Eric Clough, um veterinário Norte Americano que para além de informar sobre a anomalia, falou  sobre as técnicas e custos da remoção da mesma, os quais são absolutamente proibitivos para qualquer pessoa normal (mais de US Dollars 20.000,00), tanto mais, que tal técnica não é infalivel e ainda não tem estudos profundos, por recente, não se sabendo ainda quais as consequências ou sequelas que poderão provocar ao animal no futuro, quer a médio e a longo prazo, falou ainda da evolução da displasia, das técnicas e dos preços das intervenções rectificativas.

Sobre estes assuntos tenho a acrescentar o seguinte:

O Dermoid Sinus e a displasia só começaram a ter importância e consideradas como muito graves na Raça após os anos sessenta, particularmente depois da explosão de importações em massa de exemplares oriundos da Africa do Sul (onde se criaram até canis para exportação), principalmente pelos Estados Unidos e Austrália, se por um lado existiram alguns casos de Dermoid antes dessa data, é quase nula a presença de displasia antes dos anos sessenta.

As sessões de sábado foram muito mais interessantes estando a cargo de cinco oradores profissionais todos Norte Americanos:

Sábado

Ted Turner um consagrado adestrador de todo o tipo de animais (entre eles uma Orca), abordando três temas, “Condições ideais para possuir e manter um canino”, “Como predispor cachorros a gostar de receber ensinamentos”, e “Como trabalhar com cães agressivos”.

A Dra. Susan Ralston uma veterinária de pesquisa ligada aos laboratórios Merial, falou sobre vacinas e vacinações, no entanto não conseguiu explicar muito bem a situação da vacina da Leshmania.

A Dra. Nancy Bozeman apresentou um trabalho sobre Homeopatia com algum interesse.

O Dr. Mark Neuf apresentou os seus trabalhos sobre o “Genoma canino”, e a “genética da risca" (Domingo),trabalhos bastante interessantes, com rigor cientifico, em progresso (risca), onde se denota muito interesse e paixão pessoal, e que a ser concluido será uma importante mais valia para a raça e para o seu conhecimento.

Por fim a Dra. Pamela Reid apresentou trabalhos na área da “Eficiência e concretização do treino”, “Como maximizar o potencial dos cachorros” e finalmente “Metodologia prática para modificação do comportamento agressivo de caninos”.

Domingo

Decorreu um painel de opinião e discussão sobre "Legislação canina" focalizado essencialmente nas diferentes leis de "Cães perigosos" tendo com paineleiros representantes dos EUA, Canada, Itália, Belgica e Alemanha, falou-se muito, foram ditas muitas coisas mas nada de novo sucederá ou ficará para a História. Causou-me uma certa estranheza que os representantes da Grã Bretanha, Holanda e Paises Nórdicos não fossem convidados, assim como por outro lado também não compreendi muito bem porque é que o foram os representantes da Belgica e Alemanha, e isto porque nesses Paises foi aceite e não muito contestada a presença do RR na lista de cães perigosos em detrimento por exemplo dos pastores Alemães e Belgas, sabendo-se que estatisticamente os acidentes com esses cães é muito maior, sabendo-se também infelizmente que o valor de um RR nesses Paises duplicou.

Finalmente falou a criadora Bonnie Sykes-Norris que admite que o RR está adulterado na sua essência, que devem ser respeitados os criadores da linha (de trabalho?), que realmente para as diversas situações de trabalho e ou utilização, os cães de trabalho(?) são muito melhores, embora para DogShow ela continue a concordar que se mantenha a linha de RR adoptada(?), até porque já teve e tem alguns campeões, que o que relata foram ensinamentos adquiridos por experiência própria, que algumas das excelentes faculdades pelas quais o RR era considerado uma raça de eleição estão total ou parcialmente adulteradas nos cães de show, de entre elas destacava a coragem, o caracter, a resistência, a qualidade de saber trabalhar em grupo, e o vicio da caça entre outros,no entanto na versão de show ganharam beleza, elegância, movimento e velocidade de tiro, que o trabalho que apresentava tinha como principal fito a demonstração das qualidades de ambas as linhagens até porque cria e vende cães para todo o lado tanto de uma linhagem como da outra (tipo á medida – tailor-made dog’s ), e o melhor seria começar a pensar na existência de dois cães (raças) totalmente distintos(recuso-me a comentar).

E foi isto no essencial o que se passou no RRWC – 2004 at Fort Worth.

Como nota final tenho que desabafar o seguinte:

O RR foi criado para ser um cão polivalente em "Africa", tanto para defender a propriedade e os donos como para a caça grossa, mais especificamente para o leão, tornando-se um cão de eleição em poucos anos pelos seus invejáveis e muitas vezes unicos atributos, e isto porquê?

Porque em Africa os cães tem que ter utilidade, quase ninguém tem cães para guardar e outros para caçar, tem que caçar em grupo e usar de estratégias, resistindo exclusivamente os mais fortes e espertos, sendo o RR um cão polivalente que satisfaz ambas as necessidades, espertissimo, forte, grande estratega e que sabe operar em grupo preenche todos esses requesitos.

Porque em Africa os cães tem que ser a guarda pretoriana da propriedade e os guarda costas dos membros mais fracos da familia, condições inteiramente preenchidas pelos RR, que sendo um guarda temivel de propriedade também o é na defesa da sua “familia”, dando a sua vida inclusive por qualquer dos seus elementos.

Porque em Africa temos inimigos selvagens e fazemos parte das suas cadeias alimentares, por estarmos expostos permanentemente aos perigos de intrusões de feras de quatro patas, nunca podendo esquecer também as de duas, ora como o RR é incorruptivel, silencioso e extremamente corajoso e poderoso preenche totalmente esses requisitos.

Porque em Africa durante uma caçada não se pára para  dar de beber aos cães, porque por vezes uma caçada dura dois ou três dias, porque as presas são sempre muito maiores que os cães e uma presa ou fera ferida tem sempre que ser abatida nem que demore uma semana, condicionalismos que o RR preenche na totalidade dada a sua enorme resistência, a quase nula necessidade de beber, o seu olfacto apuradissimo conjugados com a sua apetência permanente de agradar e ser util ao dono.

Finalmente porque para enfrentar e encurralar feras um cão tem que possuir uma enorme concentração, uma grande mobilidade e poder de finta, um poderosissimo arranque e paragem em espaço curto, uma mordida potentissima e coragem desmedida, tudo isso o RR tem (inha), para isso tem que ser forte, atlético, suportado por ossos largos, ter um centro de gravidade baixo e uma frente e cabeça poderosas.

Foi-me dito por uma Norte Americana, como subconstancionamento do estalão / versão do RR que se cria nos USA, que os cães já não necessitam de ser tão fortes porque já não se caçam Leões, concordo, felizmente que sim, mas também já não existe escravatura para tomar conta, nem se levam os cães para a guerra com armadura, no entanto não se mudou radicalmente os estalões do Fila Brasileiro ou do Mastiff.

A questão que deixo no ar é a seguinte, anualmente nascem mais de 8.000 exemplares de RR, desses só 10% é que andam em DogShows, porque é que se quer modificar o seu estalão, quando os beneficios dessa modificação nada tem a ver com os fins para que a raça foi criada, mais, ainda com a agravante de se querer retirar desse mesmo estalão algumas das suas melhores qualidades e particularidades.

Hoje em dia nos ditos exemplares de exposição dos USA ninguém consegue diferenciar um macho de uma femea pela cabeça, o chamado "Osso" nesses cães não existe, as trazeiras são invariàvelmente mais largas que as frentes, o caracter e desconfiança caracteristicas desapareceram, bem assim como o sentido de caçar principalmente no que diz respeito á estratégia de grupo, e finalmente, com muito mais gravidade ainda, desapareceu grande parte do seu sentido para guardar, da sua nata apetência de fazer frente seja ao que for, em suma da sua desmedida coragem.

Será que os donos dos mais de 7.000 exemplares que nascem por ano e que não são utilizados como cães de exposição, não se sentirão defraudados e irremediàvelmente desapontados com os seus cães, quando constatarem que as caracteristicas pelas quais elegeram a raça desapareceram?

Todos as raças caninas foram criadas ou adaptadas para uma ou várias determinadas funções, funções essas que foram levadas em conta e que consequentemente condicionaram o tamanho, osso, cabeça, resistência, elastecidade, musculatura, pelagem, cor(es), e coragem dos seus exemplares, em suma, o seu porte e caracter, não se criaram Mastiff’s para caçar ratos, nem Manchester Terriers para levar para a guerra com armaduras de 30 quilos. Não seria mais lógico, que em vez de tentar alterar o estalão de uma raça com um fim devidamente definido, e já que oficialmente existem mais de 350 raças de canideos, escolher uma outra que fosse ao encontro ou preenchesse as pretensões desses criadores, deixando esta para quem quer realmente criar e possuir verdadeiros Rhodesian Ridgeback’s?

César de Castro Martins

Criador amador da raça Rhodesian Ridgeback com o afixo “Quinta de Ferdais, reconhecido pelo CPC e FCI, fundador e Presidente da Direcção do Rhodesian Ridgeback Clube de Portugal.

             

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