Chamo-me César Manuel de Castro
Martins, nasci em 1952, sou casado e pai de 2 filhos, o Frederico
e a Taisa, a minha actividade principal prende-se com navios, ou
seja, sou agente de navegação.
Desde
sempre tive uma paixão por animais, principalmente por cães, no entanto,
e devido a viver em Lisboa só muito tarde (
1972 ), realizei o desejo de possuir
um.
Na minha
família da parte materna sempre existiram cães, principalmente Castro
Laboreiro, isto em virtude de toda a família ser oriunda do Alto Minho,
inclusive, a minha mãe quando veio para Lisboa após o seu casamento
deixou com a minha avó o seu companheiro de meninice, o "
Tyrone ", um Castro Laboreiro que segundo ela só lhe
" faltava falar ", vindo a morrer pouco
depois de velhice ou quiçá de saudades.
Em
virtude de uma parte da minha família se encontrar em Moçambique,
e ainda devido ás minhas frequentes viagens e estadias em terras africanas,
principalmente Angola e Moçambique, desde cedo fiquei maravilhado
com as fantásticas características do Rhodesian Ridgeback ou como
familiarmente lhe chamavam do " Leão da Rodésia ",
mas não só, também em Angola principalmente no sul existia uma sub-raça,
talvez " primos " do Rhodesian que me fascinava,
eram os " Baia dos Tigres ".
Do
interesse à posse não demorou muito tempo, no entanto, só após ter
reunido condições, isto é, depois de ter ido viver para a margem Sul
numa casa com algum terreno, é que resolvi que finalmente tinha chegado
a hora de ter mais cães como sempre desejara.
Como
democrata que sou e como tinha adquirido uma fêmea para o meu Ridgeback,
procedi à aquisição de um Montanha dos Pirinéus que era o cão que
a minha mulher mais gostava, mais tarde, no natal, e como a minha
filha dormia com um peluche S. Bernardo em tamanho real desde os 2
anos de idade, resolvi comprar-lhe um verdadeiro. Alguns meses depois
tive conhecimento que tinham abandonado 2 cadelas S. Bernardo no Algarve,
recolhi-as, arranjei lar para uma delas, ficando com a outra,
entretanto, o meu filho adoptou como sua raça os Ridgeback´s.
No principio
dos anos 90, numa deslocação em serviço a Inglaterra e como tinha
que ali ficar para a semana seguinte, decidi ir visitar algo para
me entreter durante o fim de semana. Ao consultar
uma brochura, eis que deparei com o anuncio do " Crufts
" nesse mesmo fim de semana.
Nessa noite no hotel, ao ligar a televisão lá encontrei novamente
um resumo desse acontecimento, mas azar dos azares, o Hound Group
já tinha sido nesse dia, portanto não poderia ver os meus Ridgeback´s,
no entanto, como o Working Group seria no domingo decidi que lá estaria
para ver os S. Bernardo e os Montanha dos Pirinéus.
No domingo e após
ter transposto a porta do " Olympia ", voltei
para a direita e encontrei de imediato o meu outro grande "
amor ", lá estava o " Lion ",
com as suas 19 STONES ( 140 kg. )
olhando em redor para todos aqueles que o admiravam, completamente
seguro de si distribuindo generosamente o seu olhar meigo para aqueles
que como eu se aventuravam a tocar-lhe. Quando lhe toquei retribuiu-me
com um encostar de cabeça à espera de uma festa, logo ali ficou decidido,
eu tinha que ter um cão daqueles, era impressionante o seu tamanho
e a sua generosidade, falei com o criador e com outros, comprei livros,
inteirei-me de tudo o que pude sobre a raça, no entanto, nessa altura
existia um código ético muito rígido que fazia os Ingleses negarem
a venda de Mastiff’s a estrangeiros.
Somente
perto de um ano depois, é que o criador do " Lion
" acedeu a vender-me um cachorro, e isto, após
eu ter pedido a interferência de um amigo pessoal Capitão da Marinha
Real que o sossegou, dizendo-lhe que me conhecia muito bem, que eu
tinha condições e que era um apaixonado por cães. Mais tarde, adquiri
também uma cadela Mastiff de um outro criador.
Por essa
altura já tinha a minha conta, ou seja, de dono usual de um cão passei
a ter 7, e de que tamanhos.
Com o correr dos anos,
e como a " Família Canina " aumentou,
foi resolvido em reunião de família adquirir um terreno, onde para
alem de se construir uma casa a contento, poderia dar uma vida mais
livre e agradável aos nossos amigos.
Assim
nasceu a Casa dos Molossos, onde existem na actualidade cães de duas
raças, os Rhodesian Ridgeback´s da Quinta de Ferdais
e os Mastiff’s da Casa dos Molossos, estes últimos em
co-propriedade com a minha esposa.
Com o
correr dos anos uns morreram, outros nasceram, outros ainda envelheceram
tal como nós, têm no entanto, nem outra coisa poderia acontecer, todos
eles o seu próprio espaço para viver com
qualidade e de acordo com os seus
pergaminhos, ou ainda, para poderem descansar e acabar os seus
dias com a dignidade que merecem todos os animais,
mais ainda aqueles de que tanto nos orgulha-mos e que tantas alegrias
nos deram.
Não poderia acabar
esta pequena introdução sem deixar aqui bem expresso que tudo isto
só foi, e é possível, devido ao empenhamento e gosto de toda a minha
família, principalmente a minha mulher, que
a todos dá carinho, trata, limpa, tantas vezes no limite das suas
forças, e de um grande amigo e colega de profissão com a sua paixão, saber e paciência ilimitada, sem o Carlos e a Milú nada disto era realidade, a eles um muito obrigado.